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Empresa Ideal x Ideal de Empresa

  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

É comum escutarmos as pessoas se queixarem do seu trabalho, da empresa, do chefe e do salário. É raro depararmo-nos com alguém pleno e resolvido na área profissional.


Quem mantém uma relação empregatícia questiona com frequência ações da empresa no que se refere às exigências do mercado, decisões tomadas para aumentar a produtividade, políticas de remuneração e de distribuição de lucros, entre outras. Geralmente, os empregados vivem com a certeza de que os chefes são incansáveis exploradores da força humana.


Quem tem sua própria empresa queixa do mercado, dos clientes chatos que precisa suportar (o pior é quando nós somos esses clientes!) e dos funcionários sempre insatisfeitos. Se a empresa é pequena em resultados, o empresário reclama do baixo lucro, e da instabilidade que não o permite fazer planos. Se a empresa é grande, provavelmente a responsabilidade e os problemas aumentam, causando também insatisfação.


A situação parece ser bastante desanimadora, podendo criar dúvidas sobre como agir diante dela. Proponho, portanto, a reflexão sobre Empresa Ideal x Ideal de Empresa. A empresa ideal é algo que faz parte da nossa existência, dos nossos sonhos e, principalmente, da nossa construção. Não surgirá pronta, acabada, realizando os nossos desejos, quando e como a gente gostaria, nem será uma fonte de inspiração, de alegria e de realizações. Nela não encontraremos somente os nossos amigos mais queridos, ou, sem precisar exigir muito, colegas com quem tenhamos afinidade na forma de pensar e de agir. A empresa não consegue acompanhar nosso planejamento orçamentário, pois basta mudarmos de faixa salarial, para ajustarmos também nossos gastos, passando a ficar em um novo patamar de desejos. Infelizmente, é preciso entender que a empresa, mesmo que a ideal, não existe para os funcionários, mas, sim, com eles e tem um propósito que precisa da força das pessoas que trabalham nela, como em uma parceria. E, nesse jogo, cada um precisa fazer sua parte. Por isso, não adianta procurar, a empresa ideal para se trabalhar não existe!


Para preencher o vazio desta dura conclusão, deparamo-nos com o Ideal de Empresa, e aqui, sim, podemos fazer muito. Todos nós temos habilidades, talentos, aptidões e, aprofundando um pouco mais, temos desejos. Muitos de nós ainda não sabemos, mas temos tudo isso, mesmo que as virtudes andem juntas com as limitações. Ao tornar claro para nós quais são as nossas virtudes, passamos a buscar locais e profissões que vão de acordo com elas e que nos permitam exacerbar nossas habilidades.


O Ideal de Empresa é aquilo que vem do nosso coração. É um sonho que temos sobre a realidade na qual vivemos, no entanto, misturada com todas as nossas habilidades. É o que traduz para o mundo externo o que temos dentro de nós. É quando investimos energia, sem racionamento, sobre a concretização de um sonho. E sempre que alcançamos a sabedoria que mora no nosso íntimo, temos força para que o mundo externo seja mais alegre e confortável. Os problemas não deixarão de existir, assim como os chefes, os clientes, a inveja e o ciúmes. Porém, a forma de lidar com tais questões será diferente.


Parece um pouco de fantasia, porém quando destacamos o que nos move temos força para agir em torno do que nos cerca. Quando a pessoa reconhece o seu desejo, através dele, o seu talento é refletido e ela se faz brilhar.


Assim, entramos em uma outra esfera da roda da vida, quando conseguimos fazer algo que nos dá prazer, e somos recompensados com isso (salário, participação nos lucros, reconhecimento). Nesta esfera, a autoconfiança e autoestima passam a fazer parte da nossa realidade.


E, como estamos falando de ser humano e ninguém tem uma vida igual a de ninguém, o texto escrito não deve ser visto como uma fórmula a ser seguida, mas deve ser encarado como uma reflexão. Vale a pena questionarmos se do que não gostamos nas nossas vidas não tem relação com aquilo que não aceitamos em nós mesmos. Será que a nossa realidade está tão ruim em função das contingências ou temos uma certa responsabilidade para que esteja como está? Considerar que a empresa ideal não existe, mas questionar qual é o nosso ideal de empresa e como podemos contribuir para que se torne um pouco mais próximo do que vivemos, talvez seja um ponto de partida.


— A primeira versão deste texto foi publicada no jornal Estado de Minas, em 11 de novembro de 2001.


 
 
 

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