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Espaço Vivo

Aqui é uma hospedagem coletiva, onde você pode conhecer fluxos, trilhas e colaborações de outros autores e artistas. Entre e passeie por novas formas, textos e histórias. Antes de chegar nesse nome, "Espaço Vivo", passeei por outros. Caminhei por Criadoria, Imaginâncias e Espaço do Poetizar. E deixei que o movimento e a abertura para o que é Vivo. Entre e fique à vontade. Respire, relaxe e aproveite.

5 de out.
1 min de leitura

Já parou para pensar como você se relaciona com cada história?


Vamos lá: já aconteceu de você ler uma história e anos depois, voltar a lê-la e ter a sensação de que é quase uma nova história? Se a gente levar em conta que somos seres sempre em transformação, o nosso humor nunca é constante, a gente vai percebendo que nem a história é fixa, pois dependendo do nosso momento de vida, ela vai ter outro significado.


Bom, exemplificando: uma amiga me emprestou o livro, “As Brasas” de Sandor Marai. Iniciei a leitura e detestei. Na época, emprestei-o para a minha mãe, que nunca teve o hábito de abandonar uma leitura iniciada, e também o abandonou, de tão ruim que ela também achou. Devolvi o livro e avisei à amiga.


Tempos depois, eu ouvi a Carla Madeira, quando ela foi no nosso encontro do Clube de Histórias, dizer que esse livro tinha sido muito marcante para ela. Fiquei intrigada e pedi o livro emprestado novamente.


Iniciei a leitura com mais abertura. Para a minha surpresa, o livro é uma aula de escrita, talvez não de leitura! Rsrsrs. O ritmo do livro é lento, e um segredo é mantido ao longo de toda obra, o que acaba sendo meio angustiante. Mas, é uma leitura que nos deixa curiosos, interessados e, de certa forma, revela uma intrigante amizade dos dois personagens.


E você já viveu algo parecido?


Ter duas experiências bem diferentes com uma mesma obra? 


16 de set.
2 min de leitura

Eu resisto à IA


Eu uso inteligência artificial.


Pesquiso, organizo ideias, encontro receitas, descubro curiosidades, faço perguntas que antes faria aos livros e às enciclopédias.


Mas eu também resisto à IA.


Resisto quando vivo através dos meus sentidos.


Quando percebo que estou com fome e penso no que seria bom para me alimentar naquele momento. Quando uso o nariz para sentir o cheiro da manga e descobrir se ela ou o mamão ao lado está mais no ponto de ser saboreado.


Resisto quando escuto o que vem de dentro e pede para ser escrito.


Quando dou ouvidos ao meu sentir e percebo que, naquele momento, a melhor escolha é o silêncio. Ou uma pausa. Ou uma respiração mais consciente. Ou simplesmente contemplar as sombras inusitadas que o sol desenha dentro de casa nesta época do ano. O jogo de luz e sombra muda ao longo das estações, e eu gosto de perceber essas pequenas transformações.


Resisto quando resolvo receber amigos em casa.


Penso em quem vou convidar, quais flores escolher, quais petiscos combinam melhor com aquela conversa. Depois proponho um jogo de cartas, e o encontro se estende um pouco mais do que o planejado.


Resisto quando confio na minha intuição para tomar algumas decisões. Ao final do processo, descubro que me sinto mais segura por ter me escutado — ou mais sábia por ter aprendido algo sobre mim.


Resisto quando saio para caminhar sem fones de ouvido.


Escuto o canto dos pássaros, o som dos meus passos, o estalo de uma folha seca, a força da minha própria passada.


Resisto quando as lágrimas escorrem diante de um romance ou de uma autobiografia. Quando uma frase me atravessa e, em vez de pedir para outra voz escrever por mim, deixo nascer a semente de um novo poema.


Eu uso a IA.


Faço pesquisas. Consulto receitas. Descubro, por exemplo, qual costuma ser a principal fonte de proteína na alimentação de muitas pessoas na Índia.


Ela me ajuda.


Mas não entrego a ela aquilo que considero mais valioso.


Não tercerizo o sentir.


Não transfiro a exploração do mundo através dos meus sentidos.


Não delego os encontros que me fazem reconhecer o outro e ser reconhecida por ele.


Também não procuro nela uma aprovação garantida.


Prefiro a conversa que me contradiz, a opinião que amplia meu olhar, a pessoa que escuta o que tenho para dizer e me convida a escutar uma história diferente da minha.


Porque é nessa troca que continuo encontrando algo que nenhuma tecnologia pode viver no meu lugar.


A experiência de permanecer humana.



Sei que muitas pessoas se interessam por esse tema e muitas preferem não se envolver. Cada uma tem seus motivos e seu momento. Ainda assim, gostaria de compartilhar uma reflexão sobre um movimento que vem ganhando cada vez mais espaço e que merece ser pensado com cuidado.


Há muito tempo, as mulheres vêm conquistando lugares que antes lhes eram proibidos até de sonhar. Para não ficar apenas no plano das ideias, lembro sempre da história da minha mãe. Ela foi incentivada a não estudar, embora esse fosse um grande desejo. Mais tarde, precisou abandonar o sonho de ser engenheira e se contentar com a oportunidade de cursar Pedagogia.


Nada contra a Pedagogia. Foi justamente essa profissão que lhe permitiu sustentar e formar suas três filhas, que, por sua vez, puderam escolher livremente o que estudar.


As mulheres vêm, sim, conquistando espaços que durante muito tempo foram considerados "lugares de homem". Muitas precisaram lutar intensamente para ocupar posições antes inacessíveis e, ainda hoje, convivem com desigualdades importantes, como a diferença de remuneração. Nada disso pode ser ignorado.


Mas gostaria de ampliar um pouco essa conversa e abrir espaço para um diálogo mais humano.


Quando sou convidada a falar sobre liderança feminina, gosto de considerar o contexto cultural em que estamos inseridos. Isso implica reconhecer as desigualdades ainda presentes, mas também olhar para a história singular de cada mulher.


Há mulheres que construíram uma sólida formação técnica e, ao mesmo tempo, desenvolveram uma sensibilidade especial para cuidar das pessoas e das relações. Outras carregam experiências marcadas pelos privilégios historicamente concedidos aos homens, muitas vezes vividos dentro da própria família, e transformam essas vivências em motivação para contribuir com uma sociedade mais justa.


Há também aquelas que caminham ao lado de homens que as apoiam, reconhecem seu trabalho e compreendem o valor de equipes diversas e colaborativas.


Algumas ainda precisam lutar para conquistar espaço. Outras precisam permanecer atentas para preservá-lo.


Por isso, acredito que o ponto central não seja apenas discutir diferenças, mas construir diálogo.


Ir além dos estereótipos.


Uma mulher não pode ser reduzida ao equilíbrio ideal entre força e delicadeza. Assim como um homem não pode ser resumido à figura do opressor, embora a cultura ainda lhe ofereça privilégios importantes. As pessoas são sempre maiores do que qualquer categoria.


É justamente nessa diversidade que reside a riqueza das organizações.


Quando existe espaço para que homens e mulheres sejam respeitados, ouvidos e possam colaborar em segurança, todos ganham. O nome "liderança feminina" pode funcionar como um convite para essa conversa, mas o horizonte não deveria substituir um polo pelo outro.


O desafio é construirmos lideranças comprometidas com as pessoas, com o diálogo e com relações de trabalho mais humanas.


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