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Espaço Vivo

Aqui é uma hospedagem coletiva, onde você pode conhecer fluxos, trilhas e colaborações de outros autores e artistas. Entre e passeie por novas formas, textos e histórias. Antes de chegar nesse nome, "Espaço Vivo", passeei por outros. Caminhei por Criadoria, Imaginâncias e Espaço do Poetizar. E deixei que o movimento e a abertura para o que é Vivo. Entre e fique à vontade. Respire, relaxe e aproveite.


É muito bom quando fazemos o que gostamos e encontramos pessoas para compartilhar conosco esse prazer. Um que eu tenho e adoro é o gosto pela leitura. Quando eu morei nos Estados Unidos, acompanhei de perto, uma vizinha brasileira, que participava de um clube desses por lá. Achei a ideia genial e assim que eu voltei a morar no Brasil, quis criar um. 


Convidei pessoas amigas que eu sabia que gostavam também de ler, e marcamos um encontro em uma livraria. Era início de 2018. O livro inicial foi "Tudo é Rio", da hoje famosa escritora Carla Madeira. O grupo foi ganhando integrantes, perdendo alguns e com ele um pouco mais estabelecido, eu convidei a autora para um bate-papo conosco. Uma pena não ter registro desse encontro. 


Seguimos com encontros mensais na mesma livraria e depois que a minha mãe, que também participava, colocou prótese no joelho, alteramos os encontros para a casa da minha irmã. Nessa época, revezávamos quem levaria o que para o lanche. 


Nos encontros, falávamos do livro e das impressões que tivemos, além de sempre aparecer alegrias e tristezas para compartilhamos. 


Com a pandemia, adotamos o formato online, quando pessoas de outros estados e cidades passaram a integrar o grupo. A partir dessa época, foi quando começamos a chamar alguns autores de fora de BH para conversar conosco também, inclusive o tão amável Stênio Gardel, autor do livro “A Palavra que Resta". Já pensou que sonho, conversar com o Stênio Gardel sobre a obra dele? Foi o máximo!


Enfim, o grupo existe até hoje, não com os mesmos participantes, e segue com reflexões, trocas, confidências e muitos pontos de vista diferentes - o que sempre enriquece nossas vidas. E você? Já participou de algum clube assim? Tem interesse?



Registro do encontro na Escola Estadual Maria Coutinho - março/2025
Registro do encontro na Escola Estadual Maria Coutinho - março/2025


As diretrizes da NR-1* também são voltadas para as escolas, e o Governo do Estado de Minas Gerais destinou uma verba em 2025 para aquelas que optaram por investir esse recurso em ações visando a diminuição dos riscos psicossociais e a promoção da saúde mental.


Tomei a iniciativa junto de uma equipe de parceiros profissionais, de criar um programa, o Cura Educ, para sensibilizar, mobilizar e diagnosticar a situação sócio emocional do ambiente de trabalho nas escolas. 


Desenvolvi e ministrei palestras, que na verdade foram rodas de conversas, para sensibilizar e engajar a equipe escolar nos princípios do programa:


COMPARTILHAMENTO CONSCIENTE

UNICIDADE

RESPEITO

AMOR


Em cada uma dss escolas, tive a chance de conhecer um pouco mais dos desafios que os colaboradores, professores e servidores enfrentavam dentro do espaço público, além de promover o diálogo, e reflexões sobre o cuidado consigo e com o ambiente de trabalho. 


O interessante, foi dar a chance de falar e ouvir sobre  assuntos antes tidos como muito “pessoais" e hoje considerados essenciais quando abordamos a saúde mental nas instituições de ensino. Os encontros permitiram trocas com base no respeito e no aprendizado compartilhado. Mais do que ensinar com palestras, desenvolvi ao longo do ano de 2025 momentos onde os sentimentos dos colaboradores puderam ser ouvidos, lembrando-os que cada história era de fato importante. 


* A NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) define as diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. 




 

Enquanto arrumava a casa, lembrava do dia em que ela me contou que já tinha escondido a sujeira debaixo do tapete para esperar a visita de última hora. Eu sempre duvidei se era folclore. Agora, ela seria a visita, porém, uma visita planejada, que eu esperei por muito tempo. Eu continuava no mesmo bairro, na mesma cidade, quase na mesma rua. Ela tinha batido asas, literalmente, para a cidade do Plano Piloto. Nossos voos ficaram distantes, mas essa amizade tão única, carregada de memórias, se bastava no amor. A cada reencontro, ainda que esporádico, as mesmas risadas, a mesma emoção, e a conversa continuava de onde parou.


Varri cada canto, perfumei a casa, comprei vaso de flor, forro de mesa, aquelas coisas miúdas de mineiro, para receber a minha Elaine. Aquela de tantos folclores, do carnaval de Diamantina, das cantorias, do "Negro Gato" no violão, das trocas no trabalho, das palhaçadas na pista do Cassino Dancing Show e do colo na madrugada, no momento do sufoco. Expectativa de quem tem muito a contar e mais ainda a ouvir, afinal, em dez anos, muito se vive. Ela chegou com um presente delicado e uma garrafa de vinho.


Um abraço apertado jogou para longe a saudade da presença cotidiana que já experimentamos por tantos anos. Procurei o abridor de garrafa elétrico que jurava ter em casa, mas certamente havia sido esquecido na casa de alguém. Eu já não me lembrava quando tinha sido a última reunião na casa de amigos.


Só encontrei o saca-rolhas manual no fundo da gaveta. O tema da conversa era justamente a força feminina, nossas lutas e conquistas, e, logo ali, naquele momento, a gente não podia esmorecer. A ponta afiada da espiral perfurou a rolha, mas entrou torta. Frustração! Passei a garrafa para a Elaine, que também não conseguiu acertar o rumo. Não é possível! Duas mulheres tão maduras e decididas não conseguem abrir uma garrafa de vinho? "Isso não é força, é jeito!"


Pedimos socorro ao porteiro, que, definitivamente, não ajudou em nada. A vontade do vinho só aumentava. Virou uma questão de honra. Frustradas com a nossa incompetência, pedimos ajuda à vizinha, que nos deu a dica da pressão. Bastou uma batidinha de leve no fundo da garrafa com um pano na parede e a rolha saiu com certa facilidade. Era simples! Era como a vida da gente! Um tanto de história envasada pelo tempo, relembrada ali, num brinde e com gosto de quero mais. Tem coisas que a gente não sabe, mas aprende, né, Elaine?


Simples assim!

 

 

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